"Para um verdadeiro apaixonado pelo ver, não há necessidade sequer de fotografias, vídeo então seria ridículo. Quando não se tem a voracidade de registrar o que se vê, vê-se mais e melhor, sem ânsia de guardar, mostrar ou contar o visto. Vê-se solitária e talvez inutilmente, para dentro, secretamente, pois ninguém poderá provar jamais que viu mesmo. Além do mais a memória filtra e enfeita as coisas" (Caio F. Abreu, 1995).
A epígrafe demonstra a motivação da obra a partir de epifanias [manifestações divinas?], no caso deste lugar não manifestações divinas, mas manifestações conjunturais sobre reflexões individuais e partilhadas. A epígrafe acima é do texto Paisagens em movimentos de Caio Fernando Abreu (Santiago - Rio Grande do Sul, 1948-1996), que está em uma coletânea de textos publicados pelo autor, intitulada Pequenas Epifanias (1996). Este livro inventaria possibilidades das manifestações do devir de Caio, veja que esta é uma leitura particular.
O trecho selecionado - citado - pode ser um convite as possibilidades de viagens - leituras - produções de sentido sem uma preocupação fidedigna do que é narrado e que não tenha necessariamente que deixar sobras - resquícios, como uma necessidade intrínseca de classificar de forma assertiva as trajetórias.
A construção desse lugar ocorreu em meio a produção de textos de Seminários Temáticos I (componente curricular do curso de graduação em museologia da UFBA), cujo objetivo é apresentar reflexões sobre o campo do conhecimento da museologia. Assim, deu-se a fuga de uma compreensão academicista limitada sobre o campo, para o [des]encontro com as possibilidades a serem - que foram- exploradas das trajetórias narradas pelos estudantes sobre a experiência com - sobre - a museologia. Neste sentido, este lugar é a musealização, ou seja, a leitura de quem aqui escreve sobre as narrativas produzidas. É um convite aberto para museologias como ponto de fuga do museu ou não.
O epílogo, o desfecho processual - ampliado, questiona: porque enquadrar o museu como termo - única resposta ou resposta aproximada - como referência à museologia? Porque não museu e todas as outras coisas?
Que tal ver por ver? ver por ser? ver por devir? ver por sentir? ver apenas ver?
GIF - Filme Curtindo a Vida Adoidado (1986).

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